Meu filho parou de andar de repente

O maior desejo de mãe é ver os filhos bem e saudáveis, mas é impossível ter uma criança em casa e não passar por nenhum episódio de doença ou pequenos sustos. Mas ver seu filho parar de andar do nada é uma dor inexplicável e conto nesse texto um pouco dessa história.

Quem é mãe sabe os sustos que passamos com os filhos.

É um que cai e quebra o dente ou o outro que pula do sofá e fratura o braço, além de diversas histórias que escutamos todos os dias nos grupos de mães ou na porta da escola.

Mas essa semana o susto foi bem grande aqui em casa e ainda estou digerindo tudo o que aconteceu e as sequelas que isso vai deixar no meu já dolorido coração de mãe.

Na terça-feira de manhã fui brincar com o Lorenzo (3 anos) e o Ian (10 anos) no parquinho do clube, depois voltamos pra casa e brincamos de massinha.

O Lorenzo só falava de um bendito tênis de rodinha que ele viu no pé de uma amiga do condomínio. Já tinha uns 3 dias que ele só falava nesse calçado infantil, mas na terça-feira o papo se intensificou bastante e eu prometi que iríamos ver o tal tênis mais tarde.

Depois dei banho no Lo e almoçamos juntos. Ele comeu pouco e voltou a falar no tênis. Saí para trabalhar e deixei os dois em casa com minha ajudante do lar. Eles estavam bem, felizes e na segurança da nossa casa.

Quando bateu as 16hs recebi um telefonema da minha ajudante do lar. Ela estava muito nervosa e o Lorenzo chorava muito ao fundo. Eu sempre entro em pânico, antes de atender o telefone, quando vejo no identificador de chamadas que é da escola ou de casa. Mas dessa vez o susto foi grande, pois ela me disse que o Lorenzo tinha parado de andar de repente.

Larguei tudo e corri pra casa, mas no caminho fiquei pensando se aquilo não era a famosa “lombriga” ou vontade do tal tênis. Quando cheguei em casa e olhei ele deitado no sofá e gemendo de dor esse “achismo” foi por água abaixo e percebi que o problema era sério. Ainda tentei reanimá-lo dizendo para irmos no shopping comprar o tênis, mas ele disse: “Não consigo, mamãe!”

Aí bateu aquele desespero, pois ele não deixava eu encostar a mão na perna dele e também não sentava e nem ficava em pé. Liguei para meu marido e pedi que voltasse pra casa urgente. Comecei a ligar para o pediatra que não atendia o telefone, após a 3ª tentativa em vão deixamos o maior na vizinha e corremos para o PS.

Lorenzo não conseguiu sentar na cadeirinha e foi no colo. Isso já eram 7 horas da noite e fazia um frio cão de 8 graus. Enrolei ele numa manta bem quentinha e seguimos rumo ao hospital.

Acredito que, por causa do frio fora do normal daquela noite, o PS estava vazio e fomos atendidos em menos de 10 minutos. Comecei a relatar ao plantonista tudo o que estava acontecendo e ele me perguntou algo que foi decisivo para o início do diagnóstico: “O Lorenzo esteve doente nos últimos dias ou tomou antibiótico para alguma infecção?”

Siiiiiim… Lorenzo tinha parado o antibiótico dois dias antes por conta de uma sinusite e bingo o médico nos deu 2 possibilidades:

– Sinovite Transitória do Quadril (doença tratada em casa com analgésicos e repouso)

ou

– Osteomielite (inflamação do osso que necessita procedimento cirúrgico)

Tanto uma quanto a outra são causadas após um período de alguma infecção como uma amidalite , otite ou sinusite.

Então se deu início a saga dos exames. Puncionaram o bracinho dele para coletar sangue e também colocar um soro com analgésico. Após o término do soro nos levaram para a ortopedia para que o médico pudesse examiná-lo e então solicitar o raio X.

Já imaginaram tudo isso com um menino ativo de 3 anos, uma mãe e um pai em pânico e um frio de lascar?

Depois de algumas horas de medo e terror (pra mim as horas pareceram dias) finalmente tivemos o diagnóstico fechado. Era mesmo uma SINOVITE TRANSITÓRIA DO QUADRIL.

Para nosso total espanto uma doença corriqueira e muito comum em crianças de 3 a 8 anos que passaram por alguma infecção, principalmente nas vias respiratórias.

O pediatra dele entrou em contato conosco durante o processo e acompanhou tudo também dando o mesmo diagnóstico.

Infográfico sobre Sinovite Transitória do quadril

Eu, particularmente, nunca tinha ouvido falar então resolvi escrever esse texto como um alerta para outras mamães desavisadas e explicar um pouco mais sobre essa doença com 8 dicas para identificar os sintomas:

1) De forma súbita, a criança inicia um quadro de dor e passa a não querer andar ou colocar o pezinho no chão.

Se coloca em uma posição confortável e não quer que ninguém a toque ou a troque de posição. Isso pode ser uma doença chamada Sinovite Transitória do quadril. 

2) O que é? 

A Sinóvia é uma membrana líquida que envolve todas as articulações (“juntas”) e atua na lubrificação articular.

Se a Sinóvia está inflamada, chamamos de Sinovite. Acontece mais comumente na articulação de um dos lados do quadril, mas em raros episódios pode acometer outros locais ou os dois lados. 

3)  Quando ocorre? 

Em geral após uma infecção viral e algumas vezes concomitantemente com ela ou até mesmo antes dos sintomas da infecção (em mais de 50% dos casos a infecção é das vias aéreas superiores ou um simples resfriado).

Em crianças de 3 a 8 anos e com maior incidência nos meninos. 

4) Sintomas: 

A criança reclama de dor nas pernas, joelho e quadril. Começa a mancar ou a não querer andar.

Não deixa que coloquem a mão no local e febre baixa pode vir acompanhada da dor. 

5)  Como agir? 

É importante que se procure um atendimento médico o mais rápido possível podendo ser de um pediatra ou ortopedista.

Em 90% dos casos o diagnóstico é de Sinovite Transitória, mas existe a possibilidade de ser alguma outra doença grave, portanto o médico pode pedir diversos exames entre eles ultrassom, radiografia e exames de sangue. 

6) Quanto tempo dura?

Normalmente dura poucos dias e como o próprio nome diz é transitória.

Raras são as vezes em que demora mais de uma semana para os sintomas desaparecerem.

No caso do Lorenzo foram 4 dias de dor, sendo que nos dois primeiros dias ele ficou deitado e depois começou a sentar e andar mancando até sair correndo no 4º dia. 

7) Como é o tratamento? 

Basicamente a criança tem que ficar de repouso, pois qualquer tipo de esforço pode aumentar essa inflamação (digo por experiência própria que a criança sente vontade de ficar quietinha e não vi dificuldade em deixa-lo de repouso).

O médico irá receitar analgésicos ou até anti-inflamatórios para amenizar o quadro de dor.

Não é comum ter febre, mas pode acontecer. Recomendo muito o Fever Care que é um monitorador de febre em adesivo que você pode colar na testa da criança e monitorar a febre por até 48hs sem ter que ficar colocando o termómetro toda hora.

A própria criança, assim que se sentir melhor, volta a fazer as atividades normalmente, mas é muito importante não forçar a criança a andar. 

8) Deixa sequelas? 

Graças a Deus a Sinovite Transitória é uma doença benigna, que não traz nenhum tipo de problemas futuros e tem sua cura espontaneamente.

Aqui em casa o susto já passou e o Lorenzo segue suas férias correndo e se divertindo.

Alguém já tinha ouvido falar nessa doença ou passou por algo parecido? Deixe aqui seu comentário pra me contar e também para deixar o seu relato para outras mamães que podem vir a passar por isso. 

Lembrem-se que isso é um caso isolado que aconteceu comigo e que esses sintomas podem ser algo diferente do relatado aqui. Por isso é sempre importante procurar o seu médico em qualquer caso de doença nos pequenos.

Beijos e até o próximo papo! 

Sou Marília Tannuri Verni.

Mãe de 2 meninos,

publicitária, idealizadora do portal Grávida em Campinas

e proprietária do Ecommerce Petit Papillon Bebê & Criança.

Uma apaixonada pelo universo infantil e por todas as chances que a maternidade nos proporciona.

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Mãe de 2 meninos, publicitária, idealizadora do portal Grávida em Campinas e proprietária da loja Petit Papillon Bebê & Criança. Uma apaixonada pelo universo infantil e por todas as chances que a maternidade nos proporciona.

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